Primeira Impressão KOF XIV – Qual A Nota Honesta Para Esse Jogo?

Todo bom nerd que está de bobeira pelo Centro do Rio de Janeiro dá aquela paradinha básica na Livraria Cultura para folhear uns quadrinhos, babar nos bonecos e ver quais livros estão em destaque. Geralmente eu passo direto pela área de jogos com seus FPS e “Legos”, mas hoje fiquei bastante surpreso! Eis que saio da escada rolante e dou de cara com um Playstation 4 rodando o mais novo The King of Fighters XVI.

E era óbvio que eu tinha de testar, né?!

Fiquei um tempinho esperando o rapaz que estava jogando ceder à vez (um abraço para você, Otavio! Prazer em te conhecer!) para finalmente, depois de um bom tempo sem jogar um KOF, apreciar este lançamento. Então vamos dividir aqui em partes para melhor explicar como foi essa experiência.

Sobre os gráficos…

Realmente, as criticas sobre os gráficos do jogo são verdadeiras. O game está com um visual bem aquém de outros da sua geração. KOF XIV é um jogo 3D que emula uma jogabilidade 2D. Historicamente isso nunca deu muito certo, até mesmo com outro jogo da franquia (Sim KOF Maximum Impact, estou olhando para você agora). Quem acompanhou as nuances e percalços da empresa sabem que a SNK passou por uma grande reformulação e conta basicamente com uma nova equipe. Alguns meses atrás nós até noticiamos aqui sobre um anuncio de vagas para programadores que estava estampado na home da empresa!

Abandonar os antigos sprites 2D forçou a criação de uma modelagem em 3D totalmente nova. Eu sinceramente gostei do visual dos personagens. Alguns skins clássicos como os do Terry, Ryo, Kim e Clark foram atualizados sem deixar de lado as características canônicas. Outros foram totalmente inovadores, como Benimaru e Iori. Eu curti as roupas e tudo mais, de verdade. Mas o acabamento gráfico não tem o menor refinamento.

O jogo parece não ter um filtro anti-aliasing, as bordas dos bonecos são serrilhadas grotescamente a olho nu. Algumas cores se misturam na junção da pele com a roupa. E os cabelos são terríveis! O penteado do Goro Daimon parece a grama desenhada nas histórias da Turma da Mônica! Em compensação os cenários estão lindos demais! E talvez por isso o gráfico dos personagens seja tão destoante, visto que faz parte da franquia um histórico de cenários super elaborados.

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O gráfico de KOF XIV não condiz com a sua geração

Sobre a jogabilidade…

Quero deixar claro que eu testei o jogo numa estação de amostra da livraria, ou seja, dezenas de pessoas já usaram aquele controle que não pode apresentar uma qualidade muito confiável. Por isso eu fiz questão de jogar não só no Modo História como também no Training para ver realmente como está a resposta e os movimentos de combate.

O que chamou minha atenção logo de cara foi a relação entre o timing e o input dos golpes. Quero dizer, o tempo que leva para os comandos serem executados e a facilidade de serem realizados. Esse sempre foi um ponto forte da franquia. Temos edições como KOF ‘98 e KOF ‘2002 que primam pelo input preciso, sendo consideradas as versões talvez mais competitivas no modo versus. E o que eu vi nesse The King of Fighters XIV me deixou curioso.

Os golpes especiais são extremamente fáceis de fazer, o timing é simples de perceber, mas existe uma falha de conexão entre eles muito perceptível. Combos padrão como voadora, soco forte e um movimento de agarrão às vezes parecem não linkar corretamente, mesmo você sabendo que está na distancia correta e aplicando os comandos no tempo certo. Isso muito me lembra de quando Street Fighter IV foi lançado e a Capcom precisou lançar um balanceamento logo de cara para corrigir algo parecido.

Fico pensando se o problema na verdade não está na jogabilidade, mas sim na quantidade de frames de movimentação. É impossível não comparar com um Street Fighter V ou um Tekken 7 onde você pode escolher inputs frame a frame para realizar um punish certeiro em cima do erro do seu oponente. Ou quem sabe atrasar um combo propositalmente para enganar seu adversário enquanto ele salta ou se levanta. Em KOF XIV parece que isso será muito difícil de fazer, visto que realmente alguns frames parecem terem sido “comidos” dos golpes.

Sobre a física do game…

Isso foi uma coisa que realmente me incomodou.

Alguns golpes e personagens parecem não ter peso algum. Todos eles parecem ser recheados de isopor. Não faz diferença se você joga com um cara grande como o Chang ou um magrinho serelepe como o Benimaru, todo mundo tem o mesmo “peso”. Novamente isso é uma coisa que atrapalha muito na jogabilidade. O recurso de você correr e dar o super jump, por exemplo, às vezes  acaba não chegando próximo o suficiente do adversário mesmo tendo certeza que calculou de maneira precisa. Enquanto que outras vezes você acaba ultrapassando e caindo do outro lado dele sem querer.

A velocidade também foi muito alterada. Eu joguei com personagens de reação rápida como Ryo e Athena, e ambos parecem ter a mesma velocidade do Ralf, por exemplo. Talvez eu precise me readaptar a essa nova jogabilidade, mas isso me incomodou. Penso que deveria ser algo mais intuitivo para um jogador como eu que curte a franquia desde sua primeira versão, láááá em 1994! Será que estou pagando de retrô gamer chato aqui ou o jogo realmente precisa de ajustes na sua física? Acho que preciso jogar mais um pouco para ter certeza, mas a principio não me agradou muito.

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A grande variedade de personagens é com certeza um dos pontos fortes do jogo

Considerações Gerais.

Mesmo com todos os problemas uma coisa é inegável: eu senti o “espírito” do The King Of Fighters nesse jogo. Primeiro pelo excelente set de personagens. São 50 cabeças para você sair na porrada com muita variedade! Personagens de rush, de agarrão, de combate à distância, de projéteis… A variedade é o ponto forte aqui com toda certeza.

Os combos e movimentos clássicos estão de volta, assim como a habilidade de esquiva com rolamento que funciona bem. Os cancelamentos são honestos e prometem dar a chance de muitas combinações interessantes. Quero muito jogar um versus desse novo KOF com alguns amigos para testar mais a fundo algumas.

Vi muitas críticas elogiando a trilha sonora do game, mas como estava dentro de uma loja não pude notar esse ponto em especifico. Mas é tradição da franquia contar com temas excelentes, não duvido que seja de qualidade realmente.

Enfim, se vocês me perguntarem uma nota honesta para o jogo eu daria um 6,5.

“Nooooossa, só isso! Então você detestou!!!”

Não, não, muito pelo contrário! Visto os rumos que a franquia estava tomando esse jogo saiu muito melhor do que eu esperava, sinceramente! Mas como apreciador de fighting games existem certos aspectos aqui que realmente comprometem o jogo a nível competitivo. Não consigo visualizar o KOF XIV no set list de uma EVO, por exemplo. Jogadores de nível pro com certeza vão enumerar muito mais problemas do que eu, e isso compromete a inclusão do game em campeonatos de grande porte.

Na real o meu 6,5 é bem honesto, mas ele tem um gostinho de quem gostaria de dar uma nota 8,0, quem sabe.

Agora é esperar outra oportunidade de poder jogar com mais calma com os amigos para fazer uma analise melhor. E quem sabe a minha opinião não pode mudar, para mais ou para menos.

 

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