Porque É Difícil Ser Pai! A Nova Fase do Velho Superman

No ano passado a DC Comics passou por mais uma enorme, e bem sucedida, reformulação na sua linha editorial. Depois de pouco mais de 05 anos chegava ao fim Os Novos 52, a linha de quadrinhos lançada em 2011 após os eventos de Flashpoint (Ponto de Ignição no Brasil). Como um bom reboot os Novos 52 chegaram com todo o gás. Diversos personagens foram reformulados tanto em suas origens como em aparência e personalidades. E um dos que mais sofreu com as mudanças foi o Superman, sem sombra de dúvidas.

Fomos apresentados a um Homem de Aço mais jovem, mais impulsivo e, de certa forma, um pouco prepotente. Um herói moderno feito para um público mais moderno que não tem muita empatia para com o velho azulão e seu jeito de escoteiro número um da América. Para a maioria de vocês leitores que acompanharam essa fase eu posso certamente estar sendo um tanto que irrelevante. Mas é preciso fazer uma contextualização, mesmo que mínima, para falar do novo (ou seria velho?) Superman da recente iniciativa Rebirth da DC Comics.

Recapitulando, e informando aos desentendidos, em 2016 aconteceu uma mega saga com todo o multiverso DC chamado Convergência, que basicamente foi uma união de recortes de diversos personagens das muitas linhas temporais ao longo de toda a história da editora. Seria difícil explicar de maneira rasa o que motivou e as conseqüências de Convergência, mas basta você saber que foi uma saga que trouxe de volta personagens antigos e fez uma ou outra mudança no que já estava rolando. E com certeza a mais importante delas foi o retorno do “Superman clássico”, vamos colocar assim.

Convergência trouxe um festival de Supermans de várias linhas temporais

Quando o universo DC voltou ao normal (ou o mais próximo disso) após o final de Convergência o Superman clássico acabou ficando no mesmo mundo que o Superman dos Novos 52, porém agindo nas sombras, já que não queria ser identificado. E ele tinha um bom motivo pra isso, já que agora era um chefe de família casado com Lois Lane e pai do pequeno Jon. Confuso? Calma que pode melhorar, ou não.

Os Novos 52 terminam após a saga da guerra contra Darkseid e a morte do Superman conhecido dessa linha. O mundo passou um tempo de luto após sua morte até que diversos incidentes fizeram o Superman clássico assumir (ou re-assumir, como você preferir) o manto do Homem de Aço e último filho de Krypton. Agora já estamos falando do Rebirth e como ele tem sido importante para editora justamente por isso, trazer de volta o espírito clássico dos heróis. E ninguém melhor que o Superman para ser o bastião nessa retomada às origens.

Superman Clássico e o Homem de Aço dos Novos 52 juntos

Como fã do personagem eu devo dizer que estou extremamente feliz com o que tenho lido até agora. Existe uma boa divisão entre os fãs do Superman dos Novos 52 e o Clássico nos grupos e fóruns pela internet, clamando quem seria o “verdadeiro”. Bom, longe de mim ser o senhor da razão, mas o que ficou subentendido até agora é que todo o período dos novos 52 foi uma espécie de “linha do tempo artificial” criada e manipulada por uma poderosa entidade. Então o Superman do Rebirth é aquele mesmo que fez parte da Liga da Justiça no passado, que casou com a Lois, que morreu lutando contra o Apocalipse e retornou de cabelo comprido nos anos 90. Mas mesmo ele está bem diferente da visão estereotipada do personagem, e é nesse ponto que eu gostaria de chegar.

Como eu falei no inicio do post, muitos leitores mais jovens nunca curtiram o jeitão de bom moço do Superman tradicional. Eu sempre encarei como algo necessário, afinal, vestir a capa e o símbolo do Homem de Aço sempre significou tudo de bom e justo que a humanidade pode oferecer acima de diferenças étnicas, sociais ou políticas. Um Superman que não mata e que se preocupa em salvar todo mundo, desde o gatinho na árvore até o suicida no topo de um prédio, esse era o herói que eu cresci admirando e me fantasiando nas festinhas da escola. Mas isso mudou um pouco, mesmo com o retorno do velho/novo azulão, já que agora ele tem a sua própria família.

Sendo herói e pai ao mesmo tempo

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É bem interessante ver toda essa mudança e crescimento no personagem. Como agora ele se preocupa muito mais com aquilo que seus atos podem provocar ou incentivar perante seu filho, o pequeno Jon. Que exemplo ele deve passar tanto como pai e como o maior herói da Terra visto que Jon também tem super poderes.  A forma agressiva e protetora que ele manifesta ao ver sua prole machucado nos braços de um vizinho após cair de uma árvore. Ou mesmo quando ele invade a batcaverna chutando portas (ou rochas) depois que Damian Wayne resolve raptar Jon para saber mais sobre ele.

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Querem ver outro bom exemplo que me surpreendeu demais? Logo nas primeiras histórias do Rebirth vemos a família Kent (que agora assume outro nome para não ser reconhecida) ser atacada pelo Erradicador, uma entidade que protege os costumes e a cultura kriptoniana. Em um determinado momento o Superman simplesmente abandona todos na cidade para colocar Jon e Lois a salvo primeiro de tudo, e isso sem titubear nem por um segundo. Eu admito que fiquei um tanto chocado. É totalmente compreensível, mas me deixou bem chocado mesmo assim. Afinal esse é o herói que primeiro olha com sua visão de raios-x se um prédio está vazio antes de arremessar um inimigo contra o edifício!

“Superman… Fugiu?”

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Toda essa nova postura mostra um personagem mais maduro e que agora tem outros dilemas para encarar. Além de aprender a lidar com certas situações que vão pesar os valores heróicos contra os deveres de pai e marido. Dando nome aos bois, boa parte dessa reformulação devemos ao excelente trabalho desenvolvido por Peter J. Tomasi e Patrick Gleason a frente dos roteiros do título solo do Superman no Rebirth. Enquanto isso, Dan Jurgens vem empolgando demais no roteiro das histórias do Superman em Action & Comics. Lembrando que Jurgens esteve também a frente das histórias nos anos 90, o que pode ser do desagrado de muita gente mas que me empolgava loucamente quando era moleque.

E essa evolução não para apenas nas histórias solo. Dentro da revista da Liga da Justiça é possível notar uma situação meio tensa já que ninguém reconhece ainda totalmente esse “novo” Superman,  visto que para os outros membros da Liga o verdadeiro, até então, era o Superman dos novos 52 como já expliquei acima. A coisa é pior entre ele e o Batman, que realmente tem um pé atrás com o kriptoniano. Mas também, de quem o Batman não desconfia não é mesmo?

VIXE! O KISUCO FERVEU!

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Outra passagem que mostra como esse Superman está muito mais cético e preocupado é como ele encara os problemas vividos por Aquaman em sua revista. O Rei de Atlântida vive um momento tenso entre seu povo e o governo dos EUA, agora que as duas nações estão praticamente a beira de uma guerra. Para saber mais leiam a revista do Aquaman Rebirth que também está demais! Mas o fato é que temos um Superman agindo de maneira até meio babaca com um parceiro de Liga, desconfiando da índole do Aquaman, fazendo ameaças e cobrando provas de sua moral. È a primeira vez que eu vejo o Superman tradicional exigindo que alguém prove ser inocente sem dar crédito ao acusado.

Isso que é companheirismo, hein?!

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Enfim meus amigos, estou muito satisfeito com as histórias do Homem de Aço e espero que elas cheguem logo aqui no Brasil. Toda a iniciativa do Rebirth é bem interessante, algumas revistas mais, outras menos, mas o Superman com certeza é um prato cheio. Se você é fã antigo do herói e curte mais aquela pegada clássica então vai se divertir. E se você é um fã mais jovem acostumado a histórias cheias de ação e conflitos também não vai se decepcionar. E uma última dica, quem puder corra atrás da minissérie Lois & Clarck, que já saiu aqui pela Panini. Lá é possível ver a transição e a entrada do Superman clássico após os acontecimentos de Convergência.

É isso, para o alto e avante.

E boa leitura!

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