Liga da Justiça vs Esquadrão Suicida – O Raso Crossover do Renascimento da DC Comics

Na virada do ano de 2017 a DC Comics prometeu o lançamento da sua maior história do Renascimento até aquele momento. Publicado nos EUA em 06 edições, Liga da Justiça VS Esquadrão Suicida trazia o confronto entre as duas maiores super equipes da editora na atualidade, com capítulos saindo alternadamente nas revistas de cada grupo e também em edições especiais. Realmente a DC quis passar um ar de grande importância para esse crossover, prometendo inclusive mudar alguns status quo permanentes até aquele momento. Mas será que a expectativa realmente bateu com a realidade?

O roteiro é bem simples, praticamente um clichê. Motivada pelo Batman, a Liga da Justiça decide investigar melhor as atividades da Força Tarefa X criada por Amanda Waller. Os dois grupos batem de frente para logo depois se unirem contra uma grande ameaça em comum. Como eu disse, um baita clichê. O que na verdade não chega nem a ser um problema se não fosse a trama rasa com resoluções convenientes que forçam a amizade de qualquer leitor.

Ah, e por falar nisso, fique ciente que TEREMOS SPOILERS aqui sobre a série. Leia por sua conta em risco, ok?!

Começando pelo confronto entre as equipes, acho que é unânime a opinião de que o Esquadrão Suicida jamais poderia bater de frente contra a Liga da Justiça. É totalmente possível que apenas a Trindade da DC desse conta de Rick Flag e sua turma. E é o que realmente acontece se não fosse uma cartada coringa (não, isso não foi uma referência): a presença de Nevasca, o mais novo membro do Esquadrão.

A luta corre tranquilamente fácil para a Liga, até que o Superman despenca dos céus atordoado após um ataque da Magia. E aqui eu já peço atenção pois a contra parte de June Moon vem sendo cada vez mais mal aproveitada nos quadrinhos (e no cinema também). O crossover começa a partir da oitava edição da revista do Esquadrão Suicida, e até aquele momento a personagem mostrou-se mais um peso morto do que qualquer outra coisa. É irritante ouvir o tempo todo como Magia é poderosa, sendo que ela nunca consegue realizar nada e fica presa na velha dicotomia Jekyl/Hide do conflito de personalidades. Mas de repente, convenientemente, ela resolve enfrentar e derrubar o Superman. Aliás, pensei que já tínhamos derrubado essa questão do Superman ser mais suscetível à poderes mágicos, quando na verdade ele é tão afetado por essas forças quanto qualquer um que não tenha as defesas especificas contra poderes místicos.

Mas vamos retomar a história. Durante um momento de distração Superman é atacado por Nevasca, que precisa absorver o calor de outros seres vivos para sobreviver. Bom, se o Superman é uma bateria solar ambulante imagine que isso realmente signifique um belo banquete. No fim das contas Nevasca tem uma overdose de poder e derruba não só o azulão, mas toda a Liga da Justiça. Mas o repertório de conveniências não para por aqui, já que Amanda Waller parece ter uma cela especial para cada um dos membros da equipe. Ou seja, com um movimento Waller fez até mesmo o que o próprio Darkseid não conseguiu. Mas se o roteirismo pesa para um lado ele também vale para o outro. Adivinhem quem é o único membro da Liga a se soltar e resolver o dilema? Ah vá, não é difícil!

Quando os ânimos esfriam Waller diz que na verdade ela PLANEJOU TUDO e sabia EXATAMENTE como as coisas iriam acabar, porque só assim a Liga da Justiça daria a ela uma chance de ouvir o que tinha a dizer. E se você acha que eu estava sendo implicante com as resoluções fáceis até agora é nesse momento que nos abraçamos e choramos juntinhos ali no canto, meu amigo. A grande revelação de Amanda após seu genial plano de aliança ter dado certo, é mostrar que uma nova ameaça está para surgir. E é aqui que as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes.

Antes da atual formação do Esquadrão Suicida Waller já havia criado um grupo bem parecido e completamente secreto composto por integrantes bem poderosos. Após uma missão mal sucedida a chefe da Argus faz aquilo que sabe de melhor: esconde a sujeira prendendo seus antigos comandados em uma prisão super-ultra-muito secreta. E lá eles ficaram escondidos por muito tempo até que Maxwell Lord resolve libertá-los e partir em busca de vingança contra Waller e todos que os traíram.

A grande sacada aqui é que os membros que compunham essa malfadada formação do Esquadrão Suicida são personagens que estavam esquecidos há algum tempo nas histórias da editora, alguns inclusive que não davam as caras desde antes da reformulação dos Novos 52. Vilões como Johnny Pranto, Dr. Polaris e até o maioral da galáxia, o maior putardo que já andou sobre a terra estava no meio: o bom e velho Lobo. Eu achei essa uma grande sacada de roteiro para explicar por onde andava essa galera sem ter de entrar em recordatórios individuais complicados. Uma explicação fácil, simples e que você aceita muito melhor do que as outras resoluções apresentadas até o momento.

Não vou entrar em grandes detalhes sobre o confronto aqui, mas basta saber que ocorre uma grande batalha envolvendo as 03 equipes, e quando tudo parecia prestes a se resolver temos outra reviravolta mirabolante. Em posse de uma artefato que amplia seus poderes, Max Lord toma a mente de todos os membros da Liga da Justiça (menos o Batman porque… Né?) e em questão de horas senta na Casa Branca dominando assim todo os Estados Unidos. Daí pra frente a coisa realmente é uma grande baboseira com o Batman liderando o Esquadrão Suicida e libertando a Liga para um confronto final com um Maxwell Lord possuído pela entidade que vivia dentro do artefato que aumentava seus poderes.

A história acaba, alguns vilões são presos, outros fogem, ninguém sai muito ferido e cada equipe parte para casa sem maiores problemas. Nas edições seguintes tudo continua como se nada tivesse acontecido. E aqui a conveniência chega em um ponto realmente irritante! É sério que a Liga da Justiça, mesmo que dominada, dá um golpe de Estado e não acontece nada? Nenhum Lei de controle de meta humanos aparece? Nenhuma manifestação de fanáticos religiosos? Nenhum político fazendo campanha em prol da supremacia do homem comum? Nada??? Essa é uma postura incoerente com o que vemos em outras histórias deste mesmo universo do Rebirth. Basta notar toda a dificuldade diplomática enfrentada pelo Aquaman entre o povo atlante e o governo dos EUA. Ou a polícia rechaçando a ajuda dos Lanternas Verdes. Mas aqui esta de boa, tudo bem, sem maiores problemas.

Percebam, eu sei que essa foi uma mini-série totalmente comercial. O lançamento não foi tão distante do filme do Esquadrão Suicida, além de estarmos a poucos meses de ver também a Liga da Justiça no cinema. Mas custava fazer algo um pouco mais conciso? Enfim, como eu disse no inicio é tudo muito raso, valendo apenas o resgate desses personagens esquecidos. Na verdade talvez o fato mais importante do crossover é o que vem a seguir dele, e eu em refiro a formação da Liga da Justiça América. Porque após todos esses acontecimentos parece que apenas o Batman resolve criar uma medida cautelar caso as coisas saiam do eixo de novamente desse jeito. E assim ele inclui o Lobo a Nevasca e posteriormente outros integrantes selecionados para compor a LJA. A meu ver Liga da Justiça VS Esquadrão Suicida serviu apenas a esses dois propósitos, fora isso não tem a menor relevância como leitura.

Concluindo, não sei se realmente recomendo a leitura. A não ser a título de curiosidade mesmo. Roteiro muito preguiçoso de Joshua Williamson e com artes de vários artistas, nenhuma se destacando. Quando eu penso em outras boas histórias tão bem amarradas como o trabalho que Tom King vem fazendo no Batman, Tomasi no Superman e Dan Abnett em Aquaman me dá realmente um pouco de desgosto ao olha para essa série.

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2 Responses to “Liga da Justiça vs Esquadrão Suicida – O Raso Crossover do Renascimento da DC Comics

  • Pelo que eu li aí essa história só foi criada por dois motivos, mostrar que a Liga da Justiça não é invencível, com a exceção do Batman que sempre consegue escapar, isso faz o personagem ficar muito irritante. Tá na hora de começarem a fazer o Batman se ferrar em alguns confrontos.

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