JARDIM DAS PALAVRAS… Netflix? Sério?

O Jardim das Palavras (Kotonoha no Niwa – The Garden of Words)

Vi faz pouco tempo no nosso amado NETFLIX e achei que estava na hora, depois de muita reflexão, de falar deste maravilhoso “media metragem”, no qual conhecemos personagens que curiosamente seguem seu destino sem perceber o quão prazeroso o acaso pode ser.

Primeiro falarei dos traços e da arte deste anime. Tenho que elogiar cada cor que foi utilizada, cada traço singelo e delicado e cada música adequadamente colocada para nos inspirar e entrar no clima.

Mesmo a chuva, que muitas vezes me incomoda, passou a ser um personagem a mais, que impulsiona os protagonistas para o cerne da história. E é uma chuva deliciosamente desenhada, quase é possível sentir o que os protagonistas sentem quando ela atinge seus rostos e molha suas roupas.

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O anime foi produzido pela CoMix Wave e dirigido por Makoto Shinkai, que simplesmente conseguiu produzir uma obra de arte de apenas 45 minutos, um feito que possivelmente poucos conseguiram.

Em síntese geral, temos um jovem que tem o desejo de se tornar um “designer de sapatos” e uma estranha desconhecida. Os dois se encontram em um local de descanso em um jardim no meio da cidade em um dia de chuva. Ela está tomando cerveja e comendo chocolate logo no inicio da manhã, enquanto ele mata aula para poder desenhar em seu caderno de desenho modelos de sapatos. Os dois mal se falam, mas uma conexão é estabelecida e o relacionamento caminha até seu ápice.

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Muito bem, se você não assistiu, pare por aqui, pois vamos direto para os SPOILERS.

Conheça Takao, um jovem colegial que morava no interior, mas que agora está morando na cidade grande com sua mãe e seu irmão mais velho. O maior sonho de Takao é ser designer de sapatos. Ele tem um relacionamento muito bom com o irmão mais velho e pouco sabemos sobre sua mãe, já que ela “fugiu” de casa para morar com o namorado.

De outro lado, temos uma jovem chamada Yukino. Ela é uma mulher mais madura, professora, que precisa superar o passado e sua melancolia, ou melhor, sua depressão. Ela foi gravemente insultada por uma aluna dentro da sala de aula e, dali em diante, passou a ter dificuldades em trabalhar. Ela também tem uma grande dificuldade de sentir o sabor das coisas, sendo que apenas cerveja e chocolate chegam a atingir o seu paladar.

Eles então se conhecem num dia de chuva, quando Takao resolve matar a aula da manhã para desenhar em um posto de descanso dentro de um lindo parque japonês. Lá, ele senta ao lado de uma mulher que logo cedo está tomando cerveja e comendo chocolate. Isso chama a sua atenção, mas o que ele vê mesmo são os delicados pés daquela mulher.

Acontece que estes encontros passam a ser contínuos, pois sempre que chove os dois fogem de suas vidas para se encontrarem no parque. Não há, como sempre, qualquer contato físico, mas a doçura das palavras, as expressões calmas, os olhares atentos e o sentimento vão lentamente mostrando que o relacionamento entre os dois está cada vez mais próximo.

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De maneira que os dois passam a ansiar para que, ao acordarem, o dia esteja chuvoso.

Aliás, é preciso destacar que, ainda que título da obra seja o “Jardim das Palavras”, pouquíssimas palavras são ditas, pelo contrário, tudo que os personagens estão pensando, sentindo ou mesmo desejando é possível notar por suas expressões, por seus gestos, por cada cena bem desenhada. Os diálogos, em verdade, poderiam estragar a poesia que é sentir o quão difícil é verbalizar uma emoção.

Ao final, os personagens precisam seguir seus caminhos, seus destinos, aprimorarem-se, crescerem e voltarem, então, a se ver. Mesmo assim, é tocante saber o quão bela esta obra de 45 minutos foi capaz de ser.

Os personagens evoluem ao longo do filme, de maneira simples e bem trabalhada. Obviamente, o casal é cativante, principalmente pela amizade que surge “do nada” e pelo cuidado que cada um tem pelo outro. Além disso, o cenário do parque em que Yukino e Takao se encontram é belíssimo, bastante agradável aos olhos.

“O Jardim de palavras” é um filme emocionante e emocional, onde cada sensação é trabalhada harmoniosamente, sem forçar qualquer situação entre os personagens, fluindo de maneira tranquila. É um filme inteligente e muito delicado, além de ter uma belíssima estética e ser original ao que se propõe.

Por isso, se você te NETFLIX, perca apenas 45 minutos do seu tempo para apreciar esta obra original e agradável e com uma nova perspectiva do mundo e do jardim que muitas vezes está a sua volta e você sequer nota.

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