Fundador do Estúdio Ghibli Declara: “Os Otakus Estão Acabando Com a Indústria de Animes”

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Hayao Miyazaki, um dos maiores nomes cinema japonês

Certas coisas que a gente vê por aí podem chocar a primeira vista, mas depois acabam fazendo sentido.
Foi esse o caso de uma declaração dada pelo grande mestre do cinema de animação japonês Hayao Miyazaki, fundador do Estúdio Ghibli e responsável por clássicos como Nausicaa e Mononoke Hime. Segundo uma matéria do The Escapist, Miyazaki haveria dito numa entrevista de TV que “os otakus estão acabando com a indústria de animes”.

Fiquei confuso: o maior público consumidor de animes não são os otakus?
Mas lendo a matéria percebi que na verdade ele se refere aos otakus de DENTRO da indústria, e não ao seu público. O que faz todo o sentido.
Primeiro temos de levar em consideração que o termo “otaku” no Japão é totalmente diferente do que é entendido por aqui. Nós brasileiros classificamos como otakus os fãs de anime em geral, pessoas que curtem cultura pop japonesa. Enquanto que para os japoneses otaku é aquele cara bitolado, totalmente viciado e obcecado. Desde a molecada que acha que vive dentro de um anime até os virgens de 40 anos trancados em seus quartos acariciando suas bonecas de Sailor Moon.

Segundo Miyazaki, “são pessoas que não observam outras pessoas reais”. Quem conhece a obra deste grande mestre sabe que ele sempre prezou por conceitos mais intimistas e humanistas. Essa crítica talvez seja direcionada para tamanha quantidade de porcarias e animes genéricos que vemos por aí, com uma infinita quantidade de “guerreiras mágicas” e “narutos”.

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Caricatura de Miyazaki com alguns de seus personagens mais clássicos

Outro dia estava conversando com um amigo e percebi que já nem me lembro mais de grande parte dos animes que assisti. Fora os grandes clássicos dificilmente aparecem uma ou outra coisa realmente interessante. É claro que isso não é exclusividade do mercado de animes e mangás, também vale para o cinema, música e toda indústria de entretenimento em geral. Mas no Japão, onde esse tipo de mídia tem um peso muito forte, o impacto é maior.

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Shonem Jump: berço de clássicos e de muita encheção de linguiça também

Acho que no fim, o que Miyazaki quis dizer é que deveria haver critérios mais altos de criação e exibição de animes. Talvez a indústria precise de uma visão mais mercadológica e menos massiva. Afinal, sabemos que sempre é mais fácil dar ao público aquilo que ele quer do que aquilo que o surpreenda.

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