DC Comics Se Pronuncia Sobre Caso de Assédio Sexual

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E depois de tantas criticas e bate boca pelas redes sociais parece que a DC Comics finalmente decidiu fazer um pronunciamento oficial sobre ocaso de assédio sexual que vem assombrando os bastidores da editora. Mas antes uma pequena contextualizada para você que não sabe do que estou falando e quer entender o caso.

Em 2012, o editor da linha Superman, Eddie Berganza, foi acusado de forçar um beijo em uma funcionária da DC durante a WonderCon 2012, em Anaheim, Califórnia. Segundo relatos, o fato ocorreu enquanto o namorado da mulher ia ao banheiro, o que só torna ainda mais feia a situação. Na época a DC fez o possível para abafar a história, Berganza foi apenas punido com um rebaixamento de posto, já que ele tinha uma posição logo abaixo de Jim Lee e Dan DiDio dentro da editora.

Algumas pessoas se manifestaram em redes sociais talvez não em defesa do acusado, mas dizendo que talvez a coisa estivesse indo longe demais apenas por uma tentativa de flerte. O problema é que começaram a aparecer mais relatos sobre um comportamento um tanto quanto machista dentro dos escritórios da DC. Janelle Asselin, uma editora e escritora freelance que trabalhava na DC até 2011, publicou em seu twitter na época que apesar de nunca ter sido tratada de forma inapropriada por Berganza, sabia de várias acusações contra o editor.

Outras acusações afirmam um certo protecionismo em cima de Berganza. Segundo fontes do site Newsarama, o incidente não chegou a ser reportado à polícia, mas sim a Bob Harras, editor-chefe da DC Comics na ocasião. Harras afirmou ter tomado as providências para iniciar uma investigação interna em vez de recorrer às autoridades, o que é muito estranho, já que assédio sexual é crime também de acordo com a legislação americana. Nesse período o escritório da DC ainda era em Nova York, e a coisa foi tomando uma proporção tão grande que o departamento legal da Warner Bros. foi envolvido para amenizar a situação.

O caldo voltou a ferver e entornar com a demissão de Shelly Bond, então editora-chefe do selo Vertigo – cargo agora extinto já que a linha foi descontinuada. Não que a demissão de Shelly e o caso Berganza estivessem relacionados, mas isso fez com que a mídia especializada lembrasse de como a DC parece “favorecer” certos cargos dependendo do gênero de quem os assume.  Chegou até ser levantada a hipótese de que Berganza permanecia no cargo porque ele teria material comprometedor acerca de seus superiores, garantindo assim a sua permanência na empresa.

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Shelly Bond, ex-editora do selo Vertigo, agora extinto

E agora, depois de todo esse tempo, a DC Comics finalmente resolveu se pronunciar oficialmente sobre o caso. Na tarde de sexta-feira (13/05), ocorreu uma reunião que incluiu todos os funcionários e foi liderada  por ninguém menos que Diane Nelson, presidente da DC Entertainment. Não se sabe o teor exato do que foi discutido, mas foi lançada a seguinte nota após o encontro:

A DC Entertainment luta para alimentar uma cultura de inclusão, equidade e respeito. Enquanto nós não podemos comentar especificamente assuntos pessoais, a DC recebe alegações de discriminação e abuso muito seriamente, investiga prontamente relatos de mau comportamento e disciplina aqueles que violam nossos padrões e políticas.

Como parte de nosso esforço contínuo para prover um ambiente de trabalho igualitário, nós estamos revisando nossas políticias, expandindo o treinamento de empregados acerca do assunto e trabalhando com recursos internos e externos para assegurar que essas políticas e procedimentos sejam respeitados e reforçados por toda a companhia.

Talvez não seja a resposta que muita gente gostaria, mas mesmo assim já é alguma coisa. Talvez ter uma mulher como Diane Nelson a frente dos negócios agora possa mudar o posicionamento da empresa sobre casos como esse. Ainda mais depois do ocorrido no último dia 05 onde Dan DiDio postou uma foto segurando um coelho, que supostamente lembrava uma semelhante postada por Berganza tempos atrás. Seria uma espécie de apoio ao colega? De certo apenas foi o fechamento da conta do twitter de DiDio.

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Comparação entre as fotos de Didio e Berganza

Eu sinceramente fico feliz de ver uma empresa tão grande como a DC finalmente se pronunciar sobre isso, mas também fico triste de notar que esse tipo de coisa acorre até hoje. Estamos sempre publicando notícias e artigos sobre inclusão de mulheres no mercado editorial. De como é importante abrir espaço para artistas mulheres e a criação de conteúdo não sexualizado em cima de personagens femininas. Mas não percebemos como fatos desse tipo representam um verdadeiro retrocesso, e uma luta a ser combatida fora dos holofotes. Vamos continuar em cima e procurar sempre trazer a verdade a tona em casos como esse, tendo eles ocorridos dentro ou fora do mercado editorial.

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