1001 Apresentações de Cosplay – Especial WCS Brasil!

1001 WCS topo

A série “1001 before you die” inspirou esta coluna não apenas por apresentar aos leitores grandes clássicos dentro de uma determinada temática (Discos, Filmes, Carros, Livros, Vinhos, Invenções), mas por também mostrar que uma obra se torna merecedora de admiração por transformar de certa forma quem a contempla.

Como fã destas coleções, algumas das quais já li dezenas de vezes, pareceu-me que muitas apresentações de cosplay possuíam este poder de emoção, e imaginei como seriam os textos sobre estas performances, escritos no mesmo tom informativo/bem humorado/emotivo que os livros originais possuem.

Por ser este um trabalho virtual, não vou contabilizar as 1001 apresentações. Sei que o número é bem superior se considerarmos apenas o Brasil. Aliás, não haverá qualquer restrição quanto ao tipo de apresentação, origem da mídia, idioma, evento…basta que ela seja merecedora de atenção.

Como “funciona” a coluna

Assim como nos livros, algumas apresentações necessitam de textos explicativos maiores para apresentar ao leitor todo o conjunto (Ou uma boa parte dele) de informações que podem ser observadas nas imagens disponíveis na Internet.

A análise restringe-se à apresentação em si, ou seja, ao que pode ser contemplado igualmente por todos. Alguma contextualização poderá ser feita em alguns casos específicos, mas isto não interfere no trabalho desenvolvido pelos cosplayers para o público.

Participe também!

Tive o privilégio de assistir a muitas destas performances ao vivo e em cores. Outras tantas foram noticiadas à exaustão por sua beleza e contribuição nos novos rumos proporcionados ao Cosplay. Se você conhece alguma apresentação que merece ser vista “antes de morrer”, deixe o link do vídeo nos comentários, que ela será devidamente analisada, e poderá aparecer aqui!

Lembre-se: são muitas, e se não escrevi sobre ela, pode ter sido falta de “espaço”. Aguarde, porque provavelmente está na “fila de espera”!

Divirtam-se!

 

NOTA DO AUTOR: Especial WCS

Com o final de uma era para o cosplayer brasileiro, a JBC anunciou essa semana que nãos erá mais a capitã do barco WCS Brasil. Sendo assim, resolvi que a edição nº 2 desta coluna recém-nascida não poderia fazer outra coisa senão homenagear todas as apresentações campeãs da final nacional e que representaram tão bem as terras tupiniquins na terra do sol nascente. Vamos rever as principais apresentação vencedoras da Final Brasileira do WCS!

 

 

Cosplayers: Mauricio Somenzari e Mônica Som2006enzari

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2006

Cosplays: Alexiel (Mônica) e Rosiel (Maurício)

Origem: Angel Sanctuary

 

 

Quando a Editora JBC anunciou que promoveria uma seletiva nacional para levar uma dupla de cosplayers Brasileiros a uma disputa mundial realizada no Japão – O World Cosplay Summit, ou simplesmente WCS – muitos dos mais talentosos nomes da cena cosplay brasileira trataram de preparar seu melhor material dentro das excessivamente restritivas regras do concurso (As quais, dentre outras, excluem certas mídias e impõem o idioma japonês).

Os irmãos Maurício e Mônica Somenzari estavam entre estes nomes, e prepararam uma apresentação que não apenas ilustra todo um estilo de palco, como também teve forte influência em outras performances à época.

Utilizando-se de um roteiro sucinto e uma trilha sonora extremamente impactante, capaz de potencializar todo o gestual desenvolvido no palco, os Somenzari não apenas carimbaram os passaportes para o Japão após vencerem a seletiva brasileira – realizada na Casa das Caldeiras, em São Paulo (SP) – como ajudaram a colocar o nome do Brasil no “mapa cosplay mundial” ao vencerem também o torneio na grande final em Nagoya!

Estava oficialmente iniciada uma nova era de trajes detalhados, perucas importadas, cenários mirabolantes e o cosplay tupiniquim respeitado em muitos outros países.

 

 

 

2007Cosplayers: Marcelo Fernandes e Thaís Jussim

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2007

Cosplays: Inuyasha (Marcelo) e Sesshoumaru (Thaís)

Origem: Inuyasha

 

Cosplayers brasileiros com notoriedade internacional, o casal Yuki (Thaís) e Vingaard (Marcelo) não poderia ficar de fora de um torneio como o WCS. Se a oportunidade de embarcar para o Japão não veio no primeiro ano em que o Brasil enviou seus representantes para a grande final internacional (No caso, 2006, com os irmãos Maurício e Mônica Somenzari), em 2007 ela apareceu em grande estilo.

Numa seletiva nacional novamente realizada na Casa das Caldeiras, em São Paulo (SP), a dupla criou em japonês mais uma apresentação característica do Brasil, com “capítulos” que se desenvolviam no palco por meio de trocas de roupas, uso de recursos cênicos, e um roteiro eficiente que guia o espectador na trama desenvolvida.

As caracterizações são um show à parte, e, se à época o reconhecimento no exterior parecia não ser tão grande, depois da performance em Nagoya, mesmo sem a aguardada vitória, os dois se tornaram “gigantes”!

 

 

 

 

Cosplayers: Jéssica Campos “Pandy” e Gabriel “2008Hyoga” Niemetz

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2008

Cosplays: Jo (Jéssica) e Jango (Gabriel)

Origem: Burst Angel

 

Algumas apresentações de cosplay desafiam a argúcia do espectador por mostrarem paradoxos difíceis de compreender num primeiro momento.

Esta performance de Jéssica Campos e Gabriel Niemetz – mais conhecidos como Pandy e Hyoga, respectivamente – apresentam ao público um perturbador minimalismo exuberante!

Minimalista pela quase ausência de cenário, ou a extrema simplicidade e eficiência do mesmo (um grande papelão com pintura artística que dava a ele o aspecto de uma pesada porta metálica). Exuberante porque, se não havia muita coisa no palco – ou a máxima redução do que poderia haver – o grande robô Jango, parceiro com mais de 3 m de altura da mercenária e atiradora prodígio Jo, ocupava com sobras qualquer espaço vazio que poderia haver!

Tal qual os irmãos Maurício e Mônica Somenzari em 2006, Jéssica e Gabriel apostaram no impacto visual e sonoro para deixar o público perplexo a tal ponto de não perceber que a história apresentada teve um fim.

Vencida a etapa brasileira, desta vez realizada no teatro Elis Regina, em São Paulo (SP), foi a vez de mais uma vitória do Brasil na grande final japonesa, a segunda em três anos de participação no torneio, feito que definitivamente colocou o país num patamar de respeito internacional quanto à produção de cosplays.

Uma curiosidade que não pode deixar de ser mencionada: a certeza de vitória de Gabriel era tanta, que ele subiu ao palco para o anúncio da dupla vencedora carregando uma bandeira brasileira pronta para ser desfraldada ante o público que assistia ao vivo ou em casa pela televisão.

 

 

2009Cosplayers: Geraldo “Juno” Cecílio e Renan “Mãozinha” Aguiar

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2009

Cosplays: Franky (Juno) e Brooke (Mãozinha)

Origem: One Piece

 

Se por um lado o WCS é um torneio com regras bastante restritivas quanto às mídias que podem ser reproduzidas, por outro existe nele uma certa tendência (Ou preferência, como queiram) pelo diferente, inusitado.

Apostando em seu potencial criativo, a dupla Juno e Mãozinha uniu o que havia de mais tradicional para o cosplay (Representando personagens de extremo carisma do mangá/anime One Piece) à diametralmente oposta idéia de se utilizar de uma música originalmente pertencente a outra mídia (No caso, a animação de Tim Burton e Henry Selick “O estranho mundo de Jack”).

Juno já havia arriscado doses cavalares de humor no ano anterior (2008) com sua então dupla Gabriele “Kaoli” numa performance baseada no game Disgaea. O áudio da apresentação foi em português, numa época em que, mesmo em seus países, as duplas se apresentavam em japonês.

Agora com o parceiro Mãozinha, os dois potencializaram o humor, refinando-o numa canção cuidadosamente adaptada em português para o que se pretendia mostrar dentro do universo de One Piece.

Com os passaportes carimbados para o Japão após uma final brasileira realizada no Espaço Hakka (Em São Paulo – SP), a apresentação precisou passar por um danoso processo de adequação às restrições do WCS, mudando a mídia representada para Full Metal Alchemist – tendo Juno como Edward e Mãozinha como Alphonse – e traduzindo a mesma base musical para sua versão em japonês.

O título em Nagoya não veio, mas a luz no fim do túnel deixava bastante claro que inovação trazida com bom humor era um caminho a ser explorado pelos cosplayers.

 

 

2010Cosplayers: Gabriel “Hyoga” Niemetz e Gabrielle “Kaoli” Valério

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2010

Cosplays: Brahms (Gabriel) e Silmeria (Gabrielle)

Origem: Valkyrie Profile 2

            Dois anos após ter conquistado o título do WCS para o Brasil junto com Jéssica Campos “Pandy”, Gabriel “Hyoga” voltaria à terra do sol nascente com uma nova dupla, Gabrielle “Kaoli” Valerio, que já havia participado de finais brasileiras com Geraldo “Juno” Cecílio.

Realizado desde 2005, e contando com a participação brasileira desde 2006, a cada edição do torneio o nível dos cosplayers aumentava, mostrando que não haveria outra maneira de conquistar o corpo de jurados senão pela criatividade aliada ao impacto visual, o que Hyoga já havia experimentado em 2008 com Pandy.

Trocas de roupa, lutas extremamente acrobáticas, transformações… No conjunto de opções do que já havia se desenvolvido na competição, a dupla brasileira escolheu aquela que não constava na lista: voar!

Com o auxílio de uma pequena grua, Kaoli levitou no palco principal do Festival do Japão – a nova e definitiva residência do WCS no Brasil, realizado em São Paulo (SP) – num clímax tão grandioso, que a apresentação termina com o gosto de “quero mais”, sendo isto, neste caso, uma de suas qualidades.

Para o ato, Hyoga posicionava-se atrás do estratégico cenário sem que a performance perdesse com a sua ausência.

Na final em Nagoya, o título passou perto! Na verdade, passou a um ponto da vencedora dupla italiana, mantendo o Brasil entre os grandes concorrentes, e tornando o uso da grua em apresentações de cosplay uma tendência mundial.

 

 

2011Cosplayers: Mauricio Somenzari e Mônica Somenzari

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2011

Cosplays: Balthier (Mauricio) e Ultima (Mônica)

Origem: Final Fantasy XII

Se no ano anterior um cosplayer brasileiro (no caso, Gabriel “Hyoga”) conseguiu a valiosa oportunidade de representar novamente o Brasil na grande final mundial do WCS – ainda que com uma dupla diferente de quando foi pela primeira vez –, em 2011 seria a vez de uma dupla retornar ao Japão, e tentar o feito inédito de vencer mais uma vez.

A dupla em questão são os irmãos Maurício e Mônica Somenzari, que representaram o país em 2006, primeiro ano da participação brasileira no torneio, e já nesta estréia trouxeram o título para as terras tupiniquins.

Desafio feito. Desafio cumprido! Escolhidos numa disputadíssima etapa brasileira durante o Festival do Japão, Maurício e Mônica embarcaram para Nagoya, e novamente levantaram o caneco, tendo sido a primeira dupla a conseguir dois títulos, e isolando o Brasil em quantidade de vitórias na competição.

Tal qual Juno e Mãozinha em 2009, os irmãos pautaram seu roteiro sobre uma música que não fazia parte da mídia representada. Assim sendo, adaptaram a história a ser desenvolvida sobre uma canção de Alladin, da Disney.

Diferentemente de 2009, a única mudança na performance para o Japão foi a tradução da música adaptada para o Japonês.

Bicampeonato em Família. Tricampeonato em verde e amarelo, as cores de uma potência cosplay!

 

 

2012Cosplayers: Débora Guerra da Silva e Bruno Lorandi Pagno

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2012

Cosplays: Alisa (Débora) e Lars (Bruno)

Origem: Tekken 6

            Após três anos aventurando-se em linguagens pouco usuais – mas que caíram no gosto de público e júri – os representantes brasileiros do WCS no Japão voltariam ao que há de mais tradicional numa boa apresentação em dupla: conflitos internos, ação, e um desfecho dramático ao ponto de fazer descer aquela lágrima no canto de um dos olhos.

Representantes do Anime Extreme, tradicional evento de Porto Alegre (RS), Débora e Bruno construíram trajes suficientemente fortes para resistir e dar veracidade à ação desenfreada pela qual a performance dos dois envereda antes do final lacrimejante – no qual quem “desmonta” é a platéia!

Em terras nipônicas o clima também era de tradicionalismo. Os brasileiros conseguiram a quarta colocação, ficando atrás de robôs gigantes e samurais bem coreografados (Japão, Cingapura e Indonésia ficaram em primeiro, segundo e terceiro lugares respectivamente).

Pela primeira vez, desde a pioneira edição no Brasil em 2006, uma dupla fora do eixo Rio-São Paulo era escolhida para representar o país em Nagoya. Estavam abertas as portas para um festival de novos nomes que iriam transformar as rotas do cosplay nacional.

 

 

2013Cosplayers: Mauricio Somenzari e Mônica Somenzari

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2013

Cosplays: Summoner (Maurício) e Garuda (Mônica)

Origem: Final Fantasy XIV

Em sua oitava participação no WCS, o Brasil mandaria uma mesma dupla pela terceira vez. Sim, os irmãos Maurício e Mônica Somenzari, campeões no Japão em 2006 e em 2011, algo que ainda permanece inédito no torneio, tentariam seu terceiro título mundial – e o quarto título brasileiro.

Para tal empreitada, a despeito da ousada experiência de 2011, optaram por uma apresentação no padrão mais tradicional do concurso: a exposição de um conflito, seguido de embate corporal, e o desfecho sendo o grande clímax da apresentação.

Como forma de respeitar a escala dos personagens originais, Mônica usou saltadores do tipo skyrunners nos pés, que aumentaram o seu tamanho e potencializaram seus movimentos no palco.

Na grande final em Nagoya, o clima permaneceu no padrão mais clássico do concurso, e a Itália sagrou-se campeã, igualando-se ao Brasil em quantidade de títulos, com uma performance baseada em Mazinger Z: nada mais tradicional do que uma boa luta de mechas!

 

 

2014Cosplayers: Bruno Pazzim e Tiago Diemer

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2013

Cosplays: Ky Kiske (Bruno) e Sol Badguy (Tiago)

Origem: Guilty Gear 2: overture

            Desde a primeira participação brasileira no WCS em 2006, salvo raras exceções, a dupla escolhida para representar o país na grande final japonesa tinha pouco tempo para se preparar. Aliás, quando se fala em se preparar para o WCS, é preciso entender que os cosplayers enfrentarão uma verdadeira maratona de compromissos oficiais que vão desde uma “Parada cosplay” pelas ruas até encontros formais com autoridades nipônicas. Em alguns destes eventos, é necessário estar trajando cosplay, e os trajes não podem se repetir de um evento para outro.

Como forma de garantir o bem estar dos representantes nacionais, a editora JBC, responsável pela realização da etapa brasileira do torneio, adotou um procedimento que já vinha sendo usado em outros países: escolher num ano a dupla representante do ano seguinte.

Assim, em 2013 as apresentações no Festival do Japão tiveram duas duplas vencedoras: os irmãos Maurício e Mônica Somenzari, pela conquista do primeiro lugar, representariam o Brasil neste mesmo ano. A dupla vice-campeã, Bruno Pazzim e Tiago Diemer, iria para o Japão em 2014, tendo um ano para preparação de sua performance.

A curiosidade é que a performance não precisava de “retoques”, sendo perfeitamente adequada aos seus propósitos internacionais, e funcionando muito bem no idioma japonês.

A atuação marcante dos dois, respondendo em movimentos precisos aos efeitos sonoros do áudio gravado, e com parte da coreografia simulando a técnica “Bullettime” de super câmera lenta, deram à apresentação todo visual gráfico do jogo que ela representava.

No Japão, após três anos de tradicionalismo, a dupla da Rússia venceu interpretando “The legend of Zelda” com um roteiro que, se fosse no Brasil, enquadraria a apresentação na categoria “Livre”.

 

 

2015Cosplayers: Diego Pereira Silva e Fernando Henrique Medeiros Pereira

Evento: Final Brasileira do WCS

Ano: 2014

Cosplays: Validar (Diego) e Chrom (Fernando)

Origem: Fire Emblem: Awakening

Mantendo o esquema de escolher em um ano a dupla que representará o Brasil no ano seguinte, o WCS de 2014 se prestou a selecionar os cosplayers brasileiros que vão disputar a final mundial em 2015.

Diego e Fernando destacaram-se nos anos anteriores do torneio por apresentações que continham doses precisas de humor, capazes de entreter a platéia sem perder o foco da trama principal de seus roteiros.

Esta performance vitoriosa não apresenta este humor, centrando-se no conflito que será clímax e encerramento.

O mais curioso e notável na apresentação é que após anos de buscas de recursos tecnológicos ou truques de palco que pudessem potencializar o trabalho de palco e conquistar público e jurados, os dois encontraram num simples ato corporal de força física – no caso, Diego carregando Fernando em seus ombros – o diferencial que carimbaria seus passaportes rumo ao grande desfecho em Nagoya.

 

 

Outros Posts interessantes:


2 Responses to “1001 Apresentações de Cosplay – Especial WCS Brasil!

  • Tive a chance de ver as finais em 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013 e falo com muita alegria que era uma emoção ver as duplas evoluindo e fazendo apresentações impressionantes, principalmente usando a música para criar algo impressionante no final.

Trackbacks & Pings

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *